Na estrada…

Hoje inicia uma série de viagem que farei por algumas cidades desse Brasil varonil. Assim como Che Guevara e seu fiel amigo Alberto Granado, em 1956, que saíram de motocicleta para conhecer as veias abertas da América Latina, eu e meu irmão Tiago Barros resolvemos fazer algo parecido.

A doce e passageira amizade

A vida nos permite criar todo tipo de laço de amizade, solidariedade e fraternidade da forma mais inesperada possível, que foge da nossa compreensão pela velocidade do acontecimento ocorrido. De repente, num simples e singelo toque de um instalar de dedos, encontramos pessoas que apresentam, de uma forma ou de outra, uma empatia imediata.

É como se já nos conhecessemos há tempos. Um simples comentário, risos instantâneos que pareciam de tantos e tantos encontros e reencontros. Mas não, tudo era novidade. Novidade de um primeiro e, talvez, único momento.

Dividirmos lanche, água, carregador de celular e muitas, muitas conversas. Das mais sérias às besteiras da vida.

Hoje foi um dia assim. No trecho da viagem Belém – Tocantins encontramos cinco alegres sujeitos que fizeram nosso caminho que seria longo e enfadonho se tornar no momento mais alegre e divertido. É como a teoria da relatividade da vida. Tudo que é bom e agradável passa rápido.

Na despedida, uma súbita tristeza paira sob o momento. Não querer ir embora e separar o grupo era o sentimento mais aceito. Ou se for, que fossem todos juntos. Era como se estivéssemos deixando alguém que gostamos para seguir outro caminho e nunca mais vê-los.

A vida é assim, nos permite esses momentos doces de uma passageira amizade. Fica a memória de um momento único. Quem sabe um dia nos encontramos outra vez.

Eis uma verdade, meus amigos. Quando o santo bate e a empatia é imediata, sentimos na alma a doce alegria de partilhar nossas experiências com sujeitos que na despedida acabamos levando um pouco de cada um para nosso próximo caminho.

Josynalva, Deborah, Sebastião, Guilherme e Carlos Henrique.

Um abraço fraterno em vocês.

Crianças…

Minha filha chega e pergunta:

_Pai, com quantos anos você vai estar quando eu fizer 34?

_Com a idade da sua avó, filha. Lá pela casa dos 60 anos.

De repente, as lágrimas começaram a cair de seus olhos pequenos de índio e uma tristeza pairava sob seu rosto. Em seguida ela pergunta: “mas você vai morrer?”

Um silêncio ensurdecedor pairou sobre aquele momento. Fiquei estático. Não chegava nada na mente, nenhuma resposta. O que vinha parecia não satisfazer minimamente uma resposta razoável para uma menina de 6 anos de idade. Mas como tudo tem seu tempo, resolvi acalantar o coração dela com um abraço forte e um conforto necessário.

_Papai sempre vai estar ao seu lado, filha. Não se preocupe. Papai não vai morrer. Ainda vamos viajar juntos para conhecer o mundo, lembra da nossa promessa?

Um leve sorriso em meio ao choro ela disse: _eu te amo, pai.

Meu notável heroi

Hoje queria falar um pouco sobre meu irmão mais novo. Por seu modo de ser, diria que ele seria um daqueles personagens da literatura. Um Aliesksey Karamazov, quem sabe. Aquele sujeito religioso, complacente, calmo, de alma boa e coração alegre, embora pareça estranho, as vezes, seu modo sério não combina com seu rosto alegre e extrovertido. Ele tem o “ar” do personagem que Dostoiévski batizou de seu notável herói. E meu também!

E, por falar em Dostoiévski, em “Os Irmão Karamázov”, a relação entre Ivan, um notável materialista e pensador cientifico com o religioso Aliesksey daria certamente uma comparação entre eu e ele. Eu, Ivan. Ele, Aliesksey. Sei, é muita presunção e arriscada a confirmação disso, mas diante da licença poética me permito fazer tal comparação para demonstrar essa relação complexa e conflituosa, vez ou outra, mas não problemática ao ponto de ferir ou criar qualquer discussão.

Aliás, ao final de qualquer discussão, mínima que seja, há sempre o perdão e a renovação de humor. A Bíblia, o Cristianismo são nossa principal discussão. É tudo muito divertido. Eu, em busca da compreensão histórica, ele em busca da compreensão da fé. Vamos vagando pelo mundo da matéria e da fé como duas crianças descobrindo os mistérios da vida numa relação plena de aprendizagem mútua.

Meu irmão é meu notável herói pela admiração que tenho por ele. Heroi sem máscara, sem super poder, sem capa, sem nada… mas com bondade, simplicidade, generosidade de coração imensa. Isso o faz especial. Apesar de nossas diferenças de vida, amamos um ao outro desde quando éramos criancinhas birrentas e invocadas. E quem diria que um dia ele seria um grande sábio da palavra de Deus.   

É por isso o vejo como um daqueles sujeitos que estão na Bíblia em Hebreus 11:38. Homens de que esse mundo não é digno de ter. Ele é bom demais para viver nesse mundo estranho de meu Deus. E isso faz dele meu notável heroi.

Milésimos de segundo…

Escrito por Fernanda

Os que não conhecem esta pseudo-desenhista de sonhos e confins, jamais suspeitariam o quanto ela vive.
“Vive como?”
Aos cinco léus, pesados e moderados ângulos de um despertar faminto, viril, sedento de noite.
“Que noite é esta?”
Noite, noites perto do mar… agraciada com o sutil hálito do despertar.
“Quem é o mar?”
Boa pergunta!
Ele é meu, pois sou areia,
fragmentada em tantas e tantas vezes só para perto dele viver
E amar!
Te amar!

CURRALINHO – ILHA DE MARAJÓ – PARÁ

Fonte: Setor de Obras Raras da FCP

Pelo menos desde os anos de 1830 o pequeno povoado, conhecido como “Sítio Marauarus”, passou a ser chamado de ‘Fazenda do Curralinho’, depois, em 1850, de ‘Freguezia de São João Baptista do Curralinho’, em 1865, de ‘Villa do Curralinho’ e em 1870, de Município de Curralinho. Por volta de 1853 foi necessário criar na “Fazenda do Curralinho” um ponto de parada, uma estação que serviria de escala para as embarcações que subiam e desciam o rio. As terras não eram apropriadas para criação do gado em grande escala, abrindo espaço para os Regatões que comercializavam produtos vegetais e animais por onde passavam. E foi assim que os viajantes, depois das difíceis viagens, encontravam às margens do rio Pará, uma fazendinha, um pequeno espaço de terra alagada semelhante a um CURRAL. Era uma parada quase que obrigatória, que originou as expressões: “encostamos em Curralinho”; “dormiremos em Curralinho”.

Pelo menos desde os anos de 1830 o pequeno povoado, conhecido como “Sítio Marauarus”, passou a ser chamado de ‘Fazenda do Curralinho’, depois, em 1850, de ‘Freguezia de São João Baptista do Curralinho’, em 1865, de ‘Villa do Curralinho’ e em 1870, de Município de Curralinho. Por volta de 1853 foi necessário criar na “Fazenda do Curralinho” um ponto de parada, uma estação que serviria de escala para as embarcações que subiam e desciam o rio. As terras não eram apropriadas para criação do gado em grande escala, abrindo espaço para os Regatões que comercializavam produtos vegetais e animais por onde passavam. E foi assim que os viajantes, depois das difíceis viagens, encontravam às margens do rio Pará, uma fazendinha, um pequeno espaço de terra alagada semelhante a um CURRAL. Era uma parada quase que obrigatória, que originou as expressões: “encostamos em Curralinho”; “dormiremos em Curralinho”.

De 1870 a 2019, comemoramos 149 anos de Município. Mas lá se vão quase 200 anos de existência desde o primeiro povoado. Em “A ditadura das águas”, por suas belezas e encantos naturais, Giovanni Gallo disse que “o Marajó é o último recanto do Éden”. Acrescento uma coisa, é o ‘recanto do Éden’ antes e depois do pecado original. Antes, pelas belezas, depois pela miséria e abandono. É preciso comemorar o aniversário de Curralinho sim! Mas também, acima de tudo, é necessário maior responsabilidade e compromisso para uma população educada, acolhedora e gentil, que tenta, diante das dificuldades da vida, ser feliz. Esperamos por dias melhores. E eles virão!

“À minha Curralinho/ minha alegria/ minha tristeza/ minha conquista!”

DIZ O ÍNDIO…

“Diz o índio” sobre uma grande amizade. Tenho a imensa alegria de ser amigo do sujeito mais gentil que a vida me permitiu conhecer: o “índio” Rafael Santos. Sempre foi uma grata surpresa desde o dia que iniciamos a graduação em História, pelos idos de tanto e longo tempo. O Rafael é daqueles amigos que encontramos naquele livrinho infantil da Vana Campos: “Um amigo assim para mim”. Aquele que é igualzinho a gente, só que diferente. Tem ideias diferentes mas que combinam com o que gente pensa. Aquele amigo que sempre está lá no cantinho – em Castanhal, aguardando o chamado sem medir qualquer esforço para ajudar. É daqueles seres humanos de alma boa e feliz que a gente sempre gosta de estar perto.

Rafael Rogério Nascimento dos Santos vai lançar seu primeiro livro “Diz o índio…: Políticas indígenas no Vale Amazônico (1777-1798). Disponível no site editora Paco Editorial: https://www.pacolivros.com.br/diz_o_indio/prod-6584858/?fbclid=IwAR2odgA8U0rn3vkCjqjjm1RVXFPKyzVULKlLih8gLllnXcyHOuAZr5yriII